Tempo para a Criação – Louvado sejas! — Português

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Tempo para a Criação – Louvado sejas!

Dir-se-ia abandonado, o terreno situado no espaço da propriedade sem dono e sem nome. Abundavam as silvas, cresciam as ervas daninhas por tudo quanto é canto, amontoavam-se os galhos secos das árvores que se erguiam para o alto sem destino. Quem por ali passava lastimava o estado daquilo que poderia ser espaço viçoso, delícia aos olhos dos transeuntes.

Havia algo a fazer, para reparar aquela natureza desnaturada, comentava-se. Nada ali faltava: água corrente do riacho, terra fértil, exposição ao sol, cantos e recantos apetitosos para descanso à sombra de verão.

Segundo se dizia, havia anos… umas dezenas de anos, que assim era terra: votada ao esquecimento.  Mas, um belo dia, luz surgiu.   

Um grupo de escuteiros, recordando a doutrina da Laudate Si, que tinham lido  naquela tarde,  resolvem tomar conta do terreno sem nome. Ideia daqui, ideia dali, vai-se organizando a estrutura do sonho. E a natureza sorrirá.

Sem hesitar, era de começar pelas alfaias. Tinham de ser as de lá da casa, velhas e enferrujadas, atiradas para o canto. Os pais ficarão ufanos dos seus rapazes, está visto. Cultivadores das próprias lavouras, os velhotes darão uma mãozinha, sem dúvida, pensava a rapaziada. E assim aconteceu. A ideia foi bem vista e não faltaram braços para levar o seu sonho de jovens avante: embelezar e enriquecer a natureza da aldeia.

Em pouco tempo, o solo estava pronto para a sementeira. A primavera veio mostrar a beleza encoberta durante anos sem conta. E por onde os braços jovens lavraram, as águas frescas passaram, as flores coloridas brilharam, os campos reverdeceram, as árvores verdejaram, a sinfonia dos passarinhos afainados na preparação dos ninhos, em sonora harmonia cantaram em louvor do Criador!

Os transeuntes paravam e saboreavam a paz que ali se respirava, à sombra dos carvalhos e dos pinheiros que se erguiam, orgulhosos, para o céu. E sorriam os homens, e comentavam como a natureza é cheia de pequenos e preciosos presentes escondidos. Haverá que amá-la e agradecê-la, respeitá-la e cuidar dela.

Eis o espaço viçoso, eis que param e se deliciam quantos passam ao lado do terreno outrora abandonado e agora aberto, acolhedor, convidativo a uma paragem tranquila, reparadora, a um descanso de férias aprazíveis.

Era domingo à tardinha. O povo juntou-se ali, comentava e aplaudia. Novos sonhos nasceram: dar continuidade à revivência da natureza que oferece gratuitamente a beleza e a riqueza da vida que encerra.

E ao Criador levantam-se as vozes sonoras do povo ali aglomerado em nome da Mãe Natureza.

Louvado sejas, meu Senhor, louvado sejas!